Domingo dói. Domingo não respeita o ser humano que é só. Ele chega quando não é de sol e fica de dia e a gente dorme esperando acordar de tarde, noite pra remediar domingo.
Domingo não respeita o ser humano que é só. Até quando se está perdido, calendário vivo é um aperto no peito sem se saber domingo.
Domingo não respeita o ser humano que é só. Quando se espera, espera-se muito, ainda mais pra quem sofre de espera, são as coisas que tomam freio, adomingam.
O domingo é desrespeitoso. Porque é de fim, de natureza final, só por isso.
O domingo quando me olha nos olhos, desvio. Quando me toca os lábios, assopro. Quando me dói aos ouvidos eu surdo. Mas quando desisto, é domingo.
domingo, 4 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Ter-remota
Branco, mas tem havido terremoto que nem no filme onde a mocinha aparecia, ela e um buraco no meio da sombra , buraco profundamente de nada. Estou de pensar-me assim. Sentimentos ebulindo aflitos para chegar fora. E são burros desrraciocinados , atípicos meus reclamando àquela pré-meditação toda tomasse chá de sumiço, tomou. Isso não foi criado pra ser bonito, isso foi criado sem vaidade, uma flor só e não um bando delas, uma cadeira só e não um banco todo, e vazia, ninguém quer se sentar. Explico então o porquê da verborragia atual. Foi preciso um pouco mais da vontade para jogar nele toda responsabilidade de uns olhares assumidamente por mim começados, foi preciso um pouco mais da coragem que finjo ter, foi preciso um empurrãozinho de um moço médico que me diagnosticou paixonite e esse moço eu nem conhecia, mas é que costumo dar crédito aos cardiologistas leigos de coração, foi quando ele disse para agir que minha inércia escapuliu e o sorriso ofusca de brilho os olhos até então. As coisas quase não precisaram ser ditas, eu nada ganhei a não ser um troféu que é tanto meu quanto das descriteriosas feministas para as quais pouco importa a visão alheia – seja lá onde eu me encontre neste quadro evolutivo ainda distancio-me dessas bravas que queimam sutiãs e bocas noutros corpos, desprendidas, forasteiras, quase lindas. Dispenso a vitória, meu ego é sanfona involuntário, em dispensar entristeço. E careço, que vem de carência mas eu prefiro o ato, e atento pra quem me puder. Pisco alerta. Mas sou limpa cristalina e feia. Do único tremor que muda o mundo, intacta.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Sobre o pensamento, idéia sem berço
Em ônibus lotado eu quase, mas não vejo o pensamento dos outros, quanto aos meus, estampa. Dá vergonha aprofundar-se em ônibus lotado.
domingo, 23 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Do muito, do nada
Às vezes é preciso reencontro pra que através de qualquer coisa superaquecida renove-se um ser requentado. Murcho, do pão que sai do microondas e logo fica duro, e aqui não há mais espaço pra dureza, basta a vida quando não tão linda. E não vá nessa de acreditar que se sabem os exatos botões pra voltar novo, porque se fosse fácil o peito ficaria sempre morninho sempre em bom tom e nuances ocre ou, sei lá, laranja como preferirem. Dessas coisas não se tem controle já dizia aquele, senão digo eu. Não é bem felicidade o que se sente, ou pode ser, mas só por falta de precisão, essa felicidade carece de um nome cientifico, eu queria dar mas não sei.
É que o tempo torna as coisas tediosas, e há quem precise de pouco mais que respirar, mas eu nunca. Dessa natureza exigente, a mesma cobra que sai criada sai cheia de tédio, porque ela já sabe, e já saber é uma merda. Não levanto aqui a bola desses que tem sede de conhecimento dispensável, eu sei que a concha mais pesada do mundo pesava seis ou sete quilos, ou algo parecido, e isso não faz de mim uma pessoa feliz, ou melhor, eu li isso num papel de balas que tem aquelas curiosidades. Quando li, gostei, achei interessante, me renovou por hora, ou por uma fração mínima desta. A questão é que isso não me despertou paixão pelo mar, o mar que já amo.
Às vezes é preciso não comer balas por um tempo pra saber que o curioso era óbvio. É o caso de morar em si durante sempre e ainda surpreender-se. Descubro que meço o amor quando me surpreendo com o esperado, e que doce é o sabor que sinto agora. Por enquanto durar estou feliz. Por ainda não ter outro nome pra isso.
É que o tempo torna as coisas tediosas, e há quem precise de pouco mais que respirar, mas eu nunca. Dessa natureza exigente, a mesma cobra que sai criada sai cheia de tédio, porque ela já sabe, e já saber é uma merda. Não levanto aqui a bola desses que tem sede de conhecimento dispensável, eu sei que a concha mais pesada do mundo pesava seis ou sete quilos, ou algo parecido, e isso não faz de mim uma pessoa feliz, ou melhor, eu li isso num papel de balas que tem aquelas curiosidades. Quando li, gostei, achei interessante, me renovou por hora, ou por uma fração mínima desta. A questão é que isso não me despertou paixão pelo mar, o mar que já amo.
Às vezes é preciso não comer balas por um tempo pra saber que o curioso era óbvio. É o caso de morar em si durante sempre e ainda surpreender-se. Descubro que meço o amor quando me surpreendo com o esperado, e que doce é o sabor que sinto agora. Por enquanto durar estou feliz. Por ainda não ter outro nome pra isso.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Limpa
Eu esqueci do gosto abafado da pele inflamável, do cheiro da minha boca cravada em nuca quente atrás do ouvido, do gesto comprimido em braços lisos da lama que o suor cria. Além do que é encontrar-se enrolada, agarrada nos cabelos por causa da vontade. E de ficar a vontade latejando e a vontade conjunto e a vontade transparente. Sentido arrepiado o exato peso do corpo nu, que é preciso, exato, que é dessas palavras pequenas, portanto mensuráveis. E quero sorrir quente até o finzinho agridoce. A parte oca do pensamento onde o que nos cabe é burrice animalesca misturada e gemida. Mas é uma delícia.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Sobre a super super estimação de um ser
Natasha diz:
-e assim sem duvida nenhuma eu acho que sou a melhor pessoa do mundo hahhaha
-e se eu perder isso
-mesmo que ninguem perceba
-o mundo que sou vai perder tambem
-e assim sem duvida nenhuma eu acho que sou a melhor pessoa do mundo hahhaha
-e se eu perder isso
-mesmo que ninguem perceba
-o mundo que sou vai perder tambem
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