terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Crua

Para poder olhar-se refletida e reconhecer tal silhueta, cheia de nuances curvas e femininas, de rio janeiro calor escorrer por entre os espaços macios de manto claro. Que de claridade transparece veias verdes, assim quase tatuadas, umas raízes, umas histórias. E unhas sem tempo curtinhas de coloridas tintas feias. Umbigo no meio, luneta das coisas mundo. Lá dentro observa, de vez em quando grita, mas contenta em olhar, aprende pra errar depois. Luneta pura não, aquilo que vê confuso e bonito, aquilo colorido, não queria dizer caleidoscópio, tem nome feio para o que é, mas é. Tem que ser. Depois na cabeça uns caracóis meio lisos, indecisos, da mesma cor circular dos olhos e das pintas, constelação que não morre. Sabe aquela que desponta primeiro na noite, que talvez tenha nome de planeta, aqui não precisa ter para igual beleza, fica no dedo perto da lua. E, antes que descreva o rosa luz da boca, paro e apago, para que a menina traga o reflexo de volta do Olimpo.

Um comentário:

gondim disse...

É crua mesmo?

ou está assada? cheia de ornamentos. mesa posta. cheia de talheres prateados. cheia de gente em volta. muita formalidade. muito enfeite.

Está crua mesmo?

advérbios, adjetivos, pronomes...

está crua mesmo?

e os subjuntivos?


A arte não está no que se faz.
Como disse a Cecília Helena uma vez para mim: "Ser artista é amar o que faz".

Só o amor leva a arte. mesmo que doa.

E o amor é simples.
Difícil é amar.

saudade(s) de você.
apareça.

beijos.
rodrigo gondim