segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nave

Mente em branco. A sensação que tenho é de que posso ver marte da minha janela. E que ando na lua descalço. Meu diafragma comprime, é falta de ar. Passo as mãos leves pelo cabelo molhado, ninguém me vê. Num arrepio de frio, quente de expectativa, e comprimido, de uma inundação de sentimentos. Olheiras por ausência de sono, e falta de gravidade. Não tem ninguém aqui. É escuro, estou cego sem fechar os olhos. Me dá medo se lembro, mas se não, não. Quis gritar, mas a voz já é alta dentro. E tem também o barulho desse silêncio, murmúrio da verdade. Levemente perdido. Flutuando na iminência do fim. Sem capacete, sem luva. Pra me calar nu. Pra suspeitar a vida e valorizar a volta.

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